quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Ensino Híbrido e o modelo de Rotação por Estações: o caminho para a inovação na educação


Vivemos um momento, historicamente falando, de mudanças. Desdobramentos sociais e tecnológicos tocam a nossa vida diariamente, de forma que a sociedade caminha adaptando-se à essas inovações. De fato, esses desdobramentos nos fazem viver situações que não aconteceram anteriormente, de forma que não se tem um referencial para tomarmos por exemplo. No tocante ao objeto de nossos estudos - a educação - percebemos alguns entraves e desafios. Considerando a prática pedagógica como um momento de construção do conhecimento - e observemos aqui a atualidade de tal pensamento -, construção essa que conta com o protagonismo do estudante, hoje entendido como um sujeito com múltiplas habilidades, pensante, produtor de cultura e de conhecimento, capaz de transformar e ser transformado na interação com os outros e com o mundo, já entramos em choque com as até então metodologias de ensino formais, padronizadas, baseadas na transmissão do conhecimento, e de certa forma engessada. Tal prática é corroborada muitas vezes pelos próprios profissionais da educação. Nas palavras de Moraes (1997, p. 3),

Uma escola morta, voltada para uma educação do passado, produz indivíduos incapazes de se auto-conhecerem como fonte criadora e gestora de sua própria vida, como indivíduos autores de sua própria história e responsáveis pela sua trajetória de vida. (…) Acreditamos que as coisas não mudam na educação, principalmente, pelas dificuldades enfrentadas por todos aqueles e aquelas que nela exercem as suas atividades profissionais, ao tentarem se adaptar a uma nova cultura de trabalho que, por sua vez, requer, mais do que nunca, uma profunda revisão na maneira de ensinar e de aprender.

A educação no Brasil mantém, há séculos, suas bases firmadas em metodologias estáticas, currículos inflexíveis, modelos pedagógicos obsoletos que pouco contribuem para a eficácia do processo de ensino e aprendizagem no que se refere ao desenvolvimento humano. Nesse sentido, falar sobre inovação na educação brasileira torna-se uma tarefa necessária, ao passo que desafiadora, pois implica repensar o ensino de um modo integrado, flexível e menos burocrático, sobretudo devem-se considerar as metodologias contemporâneas para a conquista de uma escola de qualidade. Segundo Morán (2015, p. 15-16),

[...] Os processos de organizar o currículo, as metodologias, os tempos e os espaços precisam ser revistos. A escola padronizada, que ensina e avalia a todos de forma igual e exige resultados previsíveis, ignora que a sociedade do conhecimento é baseada em competências cognitivas, pessoais e sociais, que não se adquirem da forma convencional e que exigem proatividade, colaboração, personalização e visão empreendedora.

Partindo da ideia de que é preciso e possível inovar na educação e modificá-la, mesmo que essa pareça uma idealização impossível e uma inverdade visto o cenário geral da educação brasileira pouco inovador, ao procurar por exemplos é possível sim encontramos alguns modelos de sucesso com resultados positivos. Entre esses modelos de sucesso, temos os que se baseiam na metodologia ativa do Ensino Hibrido que segundo Bacich, Neto e Trevisani (2015) trata-se de uma expressão, em que não existe uma forma única de aprender e na qual a aprendizagem é um processo contínuo, que ocorre de diferentes formas, em diferentes espaços. Para Morán (2015, p.16):

[...]a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. O professor precisa seguir comunicando-se face a face com os alunos, mas também digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos e com cada um.

Christensen e Horn (2013) reforçam essa ideia quando afirmam que as inovações híbridas apresentam tanto uma tecnologia nova quanto uma antiga. E, que se tratando da escola, o ensino híbrido busca combinar o melhor das aulas online com o que já existe na escola tradicional.
Uma das formas de aplicação do Ensino Híbrido na educação é por meio da Rotação por Estações, afinal esse é um modelo capaz de atrair e motivar diferentes públicos, justamente por seu carácter versátil e prático. Na Rotação por Estações, segundo Bacich e Morán (2015):

[...] os estudantes são organizados em grupos, e cada um desses grupos realiza uma tarefa de acordo com os objetivos do professor para a aula. Um dos grupos estará envolvido com propostas on-line que, de certa forma, independem do acompanhamento direto do professor. É importante notar a valorização de momentos em que os alunos possam trabalhar colaborativamente e momentos em que trabalhem individualmente. Após determinado tempo, previamente combinado com os estudantes, eles trocam de grupo, e esse revezamento continua até que todos tenham passado por todos os grupos. As atividades planejadas não seguem uma ordem de realização, sendo de certo modo independentes, embora funcionem de maneira integrada para que, ao final da aula, todos tenham tido a oportunidade de ter acesso aos mesmos conteúdos.

Diante das demandas emergentes de nossos educandos cada dia mais ligados as tecnologias e em contraponto a escola que no geral ainda não corresponde a tais necessidades, o Ensino Híbrido e o modelo de Rotação por Estações surgem nesse contexto como possibilidade para mudança e inovação, facilitando as interações, transformando a sala de aula num ambiente divertido, atraente e desafiador, colocando o aluno como protagonista no processo de aprendizagem, ao passo que o professor assume o papel de motivador e mediador na construção do conhecimento.

REFERÊNCIAS

BACICH, Lilian; MORÁN, José. Aprender e ensinar com foco na educação híbrida. Revista Pátio, nº 25, junho, 2015, p. 45-47. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2015/07/hibrida.pdf&gt;. Acesso em: 24 de ago. 2018.
BACICH, Lilian; NETO, Adolfo Tanzi; TREVASANI, Fernando de Melo. Ensino Híbrido: Personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=H5hBCgAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT5&dq=ensino+ style="color: #009933;">h%C3%ADbrido&ots=hCYi0YvARD&sig=D01u1lK8aWbp4ffKA7nHm4MZxOY#v=onepage&q=ensino%20h%C3%ADbrido&f=false>. Acesso em: 24 ago. 2018.
CHRISTENSEN, Clayton M.; HORN, Michel B.; STAKER, H. Ensino Híbrido: uma Inovação Disruptiva?. Uma introdução à teoria dos híbridos. Trad. de Fundação Lemann e Instituto Península, 2013.
MORÁN, José. Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens, v. 2, p. 15-33, 2015.
MORAES, Maria Cândida. Paradigma Educacional Emergente (o). Papirus editora, 1997.

Autores:
Bruna Mendes
Eliane Militão
Fabiana Martins do Valle
Ícaro Oliva

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