Vivemos um momento, historicamente falando, de
mudanças. Desdobramentos sociais e tecnológicos tocam a nossa vida diariamente,
de forma que a sociedade caminha adaptando-se à essas inovações. De fato, esses
desdobramentos nos fazem viver situações que não aconteceram anteriormente, de
forma que não se tem um referencial para tomarmos por exemplo. No tocante ao
objeto de nossos estudos - a educação - percebemos alguns entraves e desafios.
Considerando a prática pedagógica como um momento de construção do conhecimento
- e observemos aqui a atualidade de tal pensamento -, construção essa que conta
com o protagonismo do estudante, hoje entendido como um sujeito
com múltiplas habilidades, pensante, produtor de cultura e de conhecimento,
capaz de transformar e ser transformado na interação com os outros e com o
mundo, já entramos em choque com as até então metodologias de
ensino formais, padronizadas, baseadas na transmissão do conhecimento, e de
certa forma engessada. Tal prática é corroborada muitas vezes pelos próprios
profissionais da educação. Nas palavras de Moraes (1997, p. 3),
Uma escola morta, voltada para
uma educação do passado, produz indivíduos incapazes de se auto-conhecerem como
fonte criadora e gestora de sua própria vida, como indivíduos autores de sua
própria história e responsáveis pela sua trajetória de vida. (…) Acreditamos
que as coisas não mudam na educação, principalmente, pelas dificuldades
enfrentadas por todos aqueles e aquelas que nela exercem as suas atividades
profissionais, ao tentarem se adaptar a uma nova cultura de trabalho que, por
sua vez, requer, mais do que nunca, uma profunda revisão na maneira de ensinar
e de aprender.
A educação no Brasil mantém, há séculos, suas bases
firmadas em metodologias estáticas, currículos inflexíveis, modelos pedagógicos
obsoletos que pouco contribuem para a eficácia do processo de ensino e
aprendizagem no que se refere ao desenvolvimento humano. Nesse sentido, falar
sobre inovação na educação brasileira torna-se uma tarefa necessária, ao passo
que desafiadora, pois implica repensar o ensino de um modo integrado, flexível
e menos burocrático, sobretudo devem-se considerar as metodologias
contemporâneas para a conquista de uma escola de qualidade. Segundo Morán (2015, p.
15-16),
[...] Os processos de organizar o
currículo, as metodologias, os tempos e os espaços precisam ser revistos. A
escola padronizada, que ensina e avalia a todos de forma igual e exige
resultados previsíveis, ignora que a sociedade do conhecimento é baseada em
competências cognitivas, pessoais e sociais, que não se adquirem da forma
convencional e que exigem proatividade, colaboração, personalização e visão
empreendedora.
Partindo da ideia de que é preciso e possível inovar
na educação e modificá-la, mesmo que essa pareça uma idealização impossível e
uma inverdade visto o cenário geral da educação brasileira pouco inovador, ao
procurar por exemplos é possível sim encontramos alguns modelos de sucesso com
resultados positivos. Entre esses modelos de sucesso, temos os que se baseiam na
metodologia ativa do Ensino Hibrido que segundo Bacich, Neto e Trevisani (2015)
trata-se de uma expressão, em que não existe uma forma única de aprender e na
qual a aprendizagem é um processo contínuo, que ocorre de diferentes formas, em
diferentes espaços. Para
Morán (2015, p.16):
[...]a educação formal é cada vez
mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da
sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais.
O professor precisa seguir comunicando-se face a face com os alunos, mas também
digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos e
com cada um.
Christensen e Horn
(2013) reforçam essa ideia quando afirmam que as inovações híbridas apresentam
tanto uma tecnologia nova quanto uma antiga. E, que se tratando da escola, o
ensino híbrido busca combinar o melhor das aulas online com o que já existe na
escola tradicional.
Uma das formas de aplicação do Ensino Híbrido na
educação é por meio da Rotação por Estações, afinal esse é um modelo capaz de
atrair e motivar diferentes públicos, justamente por seu carácter versátil e
prático. Na Rotação por Estações, segundo Bacich e Morán (2015):
[...] os estudantes são
organizados em grupos, e cada um desses grupos realiza uma tarefa de acordo com
os objetivos do professor para a aula. Um dos grupos estará envolvido com
propostas on-line que, de certa forma, independem do acompanhamento direto do
professor. É importante notar a valorização de momentos em que os alunos possam
trabalhar colaborativamente e momentos em que trabalhem individualmente. Após
determinado tempo, previamente combinado com os estudantes, eles trocam de
grupo, e esse revezamento continua até que todos tenham passado por todos os
grupos. As atividades planejadas não seguem uma ordem de realização, sendo de
certo modo independentes, embora funcionem de maneira integrada para que, ao
final da aula, todos tenham tido a oportunidade de ter acesso aos mesmos
conteúdos.
Diante das demandas emergentes de nossos educandos
cada dia mais ligados as tecnologias e em contraponto a escola que no geral
ainda não corresponde a tais necessidades, o Ensino Híbrido e o modelo de
Rotação por Estações surgem nesse contexto como possibilidade para mudança e
inovação, facilitando as interações, transformando a sala de aula num ambiente
divertido, atraente e desafiador, colocando o aluno
como protagonista no processo de aprendizagem, ao passo que o professor assume
o papel de motivador e mediador na construção do conhecimento.
REFERÊNCIAS
BACICH, Lilian; MORÁN, José. Aprender
e ensinar com foco na educação híbrida. Revista Pátio, nº 25, junho, 2015,
p. 45-47. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2015/07/hibrida.pdf>. Acesso em: 24 de ago. 2018.
BACICH, Lilian; NETO, Adolfo Tanzi;
TREVASANI, Fernando de Melo. Ensino Híbrido: Personalização e
tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=H5hBCgAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT5&dq=ensino+ style="color: #009933;">h%C3%ADbrido&ots=hCYi0YvARD&sig=D01u1lK8aWbp4ffKA7nHm4MZxOY#v=onepage&q=ensino%20h%C3%ADbrido&f=false>.
Acesso em: 24 ago. 2018.
CHRISTENSEN, Clayton M.; HORN, Michel
B.; STAKER, H. Ensino Híbrido: uma Inovação Disruptiva?. Uma introdução à
teoria dos híbridos. Trad. de Fundação Lemann e Instituto Península,
2013.
MORÁN,
José. Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção Mídias
Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações
jovens, v. 2, p. 15-33, 2015.
MORAES,
Maria Cândida. Paradigma Educacional Emergente (o).
Papirus editora, 1997.
Autores:
Bruna Mendes
Eliane
Militão
Fabiana Martins
do Valle
Ícaro
Oliva
